Prefeitura de Aracaju lança novas turmas da Sala Azul para combater a violência doméstica

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher), deu início a novas turmas do grupo reflexivo “Quebrando Ciclos”, também conhecido como ‘Sala Azul’. Este espaço, que se tornou a principal identificação do projeto, é realizado em colaboração com o Tribunal de Justiça de Sergipe e destina-se a autores de violência doméstica.
A iniciativa faz parte da política pública municipal de enfrentamento à violência contra a mulher, com o objetivo de prevenir a reincidência por meio de encontros reflexivos, acompanhamento técnico e ações educativas. A ‘Sala Azul’ se consolida como um importante instrumento de responsabilização e reflexão, sempre com foco no fortalecimento da rede de proteção às mulheres.
Os grupos reflexivos atendem, em sua maioria, homens encaminhados judicialmente em conformidade com a Lei Maria da Penha. O trabalho visa promover a revisão de comportamentos, estimulando a responsabilidade e ampliando a compreensão sobre os impactos da violência. Cada ciclo é composto por 12 encontros, com cerca de 50 participantes divididos em duas turmas, realizadas às terças e quintas-feiras.
Segundo a equipe técnica da SerMulher, o início do processo costuma ser marcado por resistência. Muitos participantes chegam ao grupo encarando a atividade como uma exigência judicial.
“No primeiro atendimento, percebemos que muitos chegam emocionalmente fechados, carregando sentimentos de revolta e incompreensão. Nosso trabalho inicial é justamente construir um ambiente de escuta e diálogo, para que eles possam participar das atividades de forma mais aberta e reflexiva,”
explica a técnica da SerMulher, Hellen Lira.
Os encontros são conduzidos por equipes multidisciplinares e organizados em rodas de conversa. Ao longo das atividades, são abordados temas como relações de poder, machismo, controle, ciúmes, comunicação e responsabilidade afetiva. A proposta é incentivar a reflexão sobre padrões de comportamento que contribuem para a violência e estimular a construção de relações mais saudáveis e respeitosas.
Segundo a facilitadora Vanessa Correia, o envolvimento dos participantes tende a crescer ao longo do processo.
“Nos encontros iniciais, muitos permanecem mais retraídos e resistentes ao diálogo. Com o passar das semanas, começam a compartilhar experiências, reconhecer comportamentos e compreender melhor os impactos das próprias atitudes,”
destaca.
A estratégia adotada pelo município amplia o alcance das políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica. Ao atuar também com os autores da violência, a gestão municipal fortalece o caráter preventivo das ações, complementando o trabalho desenvolvido junto às vítimas.
Esse acompanhamento é realizado de forma articulada com os demais serviços da rede de proteção. Enquanto os participantes integram os grupos reflexivos, as mulheres em situação de violência recebem atendimento especializado no Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), que oferece acolhimento, orientação psicossocial e jurídica, além de acompanhamento contínuo. Essa integração permite o atendimento imediato das demandas e o aprimoramento das políticas públicas a partir das experiências e necessidades identificadas no cotidiano dos serviços.
A atuação conjunta entre a Prefeitura de Aracaju e o Tribunal de Justiça de Sergipe reforça a importância de medidas que vão além da responsabilização judicial, incorporando ações educativas e preventivas voltadas à redução da reincidência e à promoção de relações mais respeitosas e livres de violência.
Além disso, o grupo reflexivo ‘Quebrando Ciclos’ também atende casos envolvendo relacionamentos homoafetivos femininos, quando há mulheres autoras de violência doméstica. Nessas situações, o acompanhamento segue a mesma proposta educativa e preventiva aplicada aos demais participantes, promovendo reflexão sobre comportamentos violentos, responsabilidade e construção de relações mais saudáveis. Segundo a equipe técnica da SerMulher, a inclusão desses atendimentos reforça o caráter abrangente da política municipal de enfrentamento à violência doméstica, considerando as diferentes configurações de relações afetivas e familiares, garantindo que as ações de prevenção e responsabilização alcancem todos os públicos envolvidos.
Fonte: Prefeitura de Aracaju
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