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Sergipe

Instituto EGBÉ LAB aquece cinema negro sergipano com projetos afrofuturistas

Rafael Ramos · · 3 min de leitura

Ancestralidade quilombola e visão de futuro se encontram nas telas. O Instituto EGBÉ LAB impulsiona cineastas sergipanas com roteiros que celebram a cultura da Mussuca e reinventam a memória afro.

O cenário cinematográfico sergipano está em plena efervescência, com o Instituto EGBÉ LAB – Fortalecendo o Cinema Negro Sergipano, que promove projetos inovadores e inspiradores. Um dos destaques é um telefilme que homenageia a tradição da meladinha, uma celebração especial da comunidade quilombola da Mussuca, situada em Laranjeiras (SE). Além disso, um longa-metragem afrofuturista está em desenvolvimento, trazendo à tona temas como ancestralidade, memória e preservação ambiental.

Durante o mês de maio, as cineastas Luciana Oliveira e Carolen Meneses participaram de consultorias de roteiro e direção, que visam aprimorar a narrativa e a linguagem cinematográfica de suas obras. O laboratório é uma iniciativa do Instituto EGBÉ – Cultura e Educação Afro-brasileira e reúne profissionais de destaque na área. A roteirista cubana Xenia Rivery, que já coordenou a Cátedra de Roteiro da Escuela Internacional de Cine y Televisión – EICTV, e a cineasta Everlane Moraes, cujas obras foram exibidas em renomados festivais como Sundance e Rotterdam, foram as responsáveis por guiar as consultorias.

O telefilme, intitulado Samba de Celebração, dirigido por Luciana Oliveira, mergulha na tradição da meladinha, uma festa que acontece após o nascimento de uma criança na comunidade quilombola. A narrativa segue Alice, uma mulher grávida que enfrenta a decisão de realizar ou não essa festa tradicional, explorando temas como maternidade, pertencimento, memória e a continuidade cultural. Luciana destaca a importância dessas consultorias:

“Foi fundamental esses momentos de consultorias. Tive a oportunidade de voltar com profundidade às questões que permeiam ainda o roteiro.”

Por outro lado, Abya Yala: Raízes do Futuro, sob a direção de Carolen Meneses, traz uma abordagem futurista ao acompanhar uma cidadã do ano 3000 que viaja no tempo para salvar a flora de seu mundo. Ao chegar em 2028, ela precisa convencer uma de suas ancestrais da importância de suas ações para o futuro da humanidade. Durante o EGBÉ LAB, Carolen se dedicou a aprimorar o roteiro e a jornada das personagens, afirmando:

“Durante as consultorias do EGBÉ LAB, avançamos no amadurecimento dos caminhos estruturais do roteiro.”

Esses projetos, que se entrelaçam em suas temáticas de memória e ancestralidade, sinalizam a riqueza e a diversidade do cinema negro sergipano. Eles não apenas refletem tradições quilombolas, mas também abordam questões contemporâneas como a crise climática e a transformação social. Em agosto, o Instituto EGBÉ promoverá uma atividade aberta ao público, onde as diretoras compartilharão os aprendizados e reflexões adquiridos durante o laboratório, aproximando ainda mais a população local das produções cinematográficas que estão moldando a identidade cultural de Sergipe.