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Sergipe

Agricultura familiar já garante 65,5% da merenda nas escolas estaduais de Sergipe

Rafael Ramos · · 3 min de leitura

O Governo de Sergipe ampliou a participação da agricultura familiar no cardápio das 318 escolas estaduais. Em 2024, 65,5% dos gêneros alimentícios servidos na merenda são adquiridos diretamente de produtores locais, percentual bem acima dos 30% exigidos pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Diariamente, o Departamento de Alimentação Escolar (DAE) da Secretaria de Estado da Educação (Seed) serve cerca de 212 mil refeições. Para manter o fornecimento, o Estado investiu R$ 10.122.000 na compra de produtos da agricultura familiar para o ano letivo de 2025.

Como funciona a compra

Os alimentos são adquiridos por dispensa de licitação, modalidade que simplifica a participação dos agricultores. Em 2022, o valor destinado às chamadas públicas era de R$ 4 milhões; hoje, chega a R$ 15,8 milhões, todos oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

A diretora do DAE, Lucileide Rodrigues, explica que o fornecimento envolve 13 cooperativas e nove produtores individuais. “Antes, só trabalhávamos com cooperativas. Agora, incluímos fornecedores individuais para beneficiar o pequeno agricultor”, afirmou.

Produção diversificada

O mapeamento dos produtores é realizado anualmente pelo DAE, levando em conta regionalidade e sazonalidade. Entre os fornecedores está a Cooperativa de Produção de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Cooperafes), de Moita Bonita, município conhecido como a capital sergipana da batata-doce.

A presidente da Cooperafes, Cledja Vieira, destaca a variedade de itens entregues: “Cada cooperativa entra com sua especialidade. A diversidade de produtos é grande e muito positiva para a nutrição dos alunos”.

Renda para o campo

Para os agricultores, o programa garante preço justo e fluxo de venda constante. O produtor Maycon de Jesus, de Moita Bonita, afirma receber até 40% a mais em comparação ao mercado intermediário. “Isso ajuda bastante. Juntamos forças com outras cooperativas e reduzimos custos de logística”, disse.

Também de Moita Bonita, Tássio Geovane relata que a renda obtida com a merenda escolar sustenta a pequena propriedade tocada pela família. “Sem o programa, teríamos de vender para fora a valores menores. A cooperativa equilibra os dois lados”, contou.

No povoado Rio das Pedras, em Areia Branca, a agricultora Élida Rosa cultiva hortaliças variadas há 29 anos. Segundo ela, a venda para as escolas aproximou a família do trabalho no campo: “Foi uma chance de envolver meus filhos no dia a dia da roça”.

Impacto nas salas de aula

Estudantes percebem os benefícios da alimentação equilibrada. Camilla Lisboa, 18 anos, do Colégio Estadual Atheneu Sergipense, conta que a merenda garante energia para o período integral de estudos. A colega Júlia Alves, 17, diz ter desenvolvido olhar crítico sobre a própria dieta depois de experimentar refeições completas na escola. Já Andressa Beatriz, 16, do Colégio Estadual Leandro Maciel, ressalta o caráter inclusivo: “Muitos não têm esses alimentos em casa e encontram aqui uma alimentação diversificada”.

Todas as etapas do fornecimento seguem normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e dos ministérios da Saúde e da Agricultura. Para orientar o recebimento, o DAE distribui cartilha com padrões de qualidade a professores, diretores e merendeiras.

Com a iniciativa, o Governo de Sergipe fortalece os pequenos produtores, assegura refeições saudáveis aos estudantes e mantém a economia rural aquecida durante todo o ano.

Com informações de Governo de Sergipe