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Sergipe é o País do Forró

Cinema Negro Sergipano Ganha Força com Quilombos e Afrofuturismo

Rafael Ramos · · 4 min de leitura

Sergipe produz dois filmes que celebram a identidade negra: um mergulha nas raízes quilombolas da Mussuca e outro projeta a ancestralidade para o futuro. O EGBÉ LAB transforma histórias locais em tela.

Em um vibrante impulso cultural, Sergipe se destaca com dois projetos cinematográficos que refletem a riqueza da identidade negra e as tradições locais. Um telefilme que homenageia a tradição quilombola da meladinha, na comunidade da Mussuca, em Laranjeiras, e um longa-metragem afrofuturista que explora temas como ancestralidade, memória e preservação ambiental estão entre as obras em desenvolvimento no EGBÉ LAB – Fortalecendo o Cinema Negro Sergipano.

Durante o mês de maio, as talentosas cineastas Luciana Oliveira e Carolen Meneses participaram de consultorias de roteiro e direção, onde aprofundaram suas narrativas e aprimoraram a linguagem cinematográfica de suas obras. O laboratório, promovido pelo Instituto EGBÉ – Cultura e Educação Afro-brasileira, proporcionou uma rica troca de experiências com profissionais de renome internacional. A roteirista cubana Xenia Rivery, ex-coordenadora da Cátedra de Roteiro da Escuela Internacional de Cine y Televisión, guiou as consultorias de roteiro. Enquanto isso, a cineasta Everlane Moraes, com sua vasta experiência em festivais como Sundance e Rotterdam, contribuiu para o desenvolvimento das direções e das construções narrativas dos projetos.

O telefilme intitulado Samba de Celebração, dirigido por Luciana Oliveira, se inspira na rica tradição da meladinha, uma celebração que ocorre após o nascimento de uma criança na comunidade quilombola da Mussuca. A trama se centra em Alice, uma mulher grávida que se vê diante da difícil decisão de realizar ou não a festa tradicional de seu quilombo. A narrativa aborda temas profundos como maternidade, pertencimento, memória e a continuidade cultural, proporcionando uma reflexão sobre as transformações que essa tradição sofreu ao longo do tempo.

“Foi fundamental esses momentos de consultorias. Tive a oportunidade de voltar com profundidade às questões que permeiam ainda o roteiro, o que ainda precisa ser maturado e o tempo necessário. Tanto para mim, quanto para meus roteiristas e produtores executivos deste filme, foi um processo intenso e bonito, de afeto e foco no trabalho”, afirma Luciana.

Por outro lado, Abya Yala: Raízes do Futuro, dirigido por Carolen Meneses, traz uma narrativa futurista onde uma cidadã abya-yalense do ano 3000 viaja no tempo para resgatar a semente da única árvore luminosa capaz de regenerar a flora de seu tempo. Ao chegar em 2028, ela precisa convencer uma de suas ancestrais de que o futuro da humanidade depende daquela escolha. Este projeto utiliza a ficção especulativa para investigar questões urgentes como a crise climática, território e ancestralidade, propondo uma reflexão sobre futuros negros a partir da perspectiva do Nordeste brasileiro.

“Durante as consultorias do EGBÉ LAB, avançamos no amadurecimento dos caminhos estruturais do roteiro, mas, principalmente, aprofundamos a reflexão sobre a jornada das personagens. Entrei no processo de forma muito aberta, confiando no trabalho das consultorias e na seriedade dos espaços propostos pelo EGBÉ”, destaca Carolen.

Esses projetos, que se encontram em desenvolvimento, terão continuidade em agosto, quando o Instituto EGBÉ promoverá uma atividade aberta ao público, onde as diretoras compartilharão aprendizados, reflexões e os caminhos trilhados durante o laboratório. Mesmo partindo de universos distintos, Samba de Celebração e Abya Yala: Raízes do Futuro revelam um elo comum através da memória, ancestralidade e transformação social. Ao unir uma narrativa inspirada em uma tradição quilombola e uma ficção afrofuturista voltada para questões ambientais, esses projetos iluminam a diversidade temática e estética do cinema negro produzido em Sergipe, celebrando as vozes e experiências das realizadoras negras do estado.