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Sergipe

Dia da Sergipanidade celebra orgulho, tradições e criatividade do menor estado do país

Rafael Ramos · · 3 min de leitura

Nesta terça-feira, 24 de outubro, Sergipe comemora o Dia da Sergipanidade, data que realça o patrimônio cultural, religioso e gastronômico construído pelo povo do menor estado brasileiro.

Mercados de Aracaju contam histórias de pertencimento

Nos Mercados Municipais da capital, bancas inteiras refletem esse sentimento. O cordelista Joel Santana Cabral, 51 anos, herdou do pai o ofício de vender folhetos literários e define a sergipanidade como “nosso povo guerreiro e trabalhador, que valoriza a cultura”.

Vendedora de artesanato há 61 anos no Mercado Thales Ferraz, Maria Edelzuita, 73, destaca o acolhimento sergipano: “O turismo é muito forte, mas o público local também comparece bem”.

Nathalie Cardoso, 41, comercializa sandálias de couro e conta que visitantes já chegam decididos a comprar a “priquitinha”, peça emblemática de Sergipe. “Tenho orgulho de contribuir para preservar nossas raízes”, afirma.

Há 48 anos atrás de um balcão de castanhas de caju, Claudice Cavalcante, 70, agradece a clientela: “Recebemos compradores de dentro e fora de Sergipe. É gratificante fazer parte dessa história”.

Sabores e festas mantêm memórias vivas

Em São Cristóvão, quarta cidade mais antiga do Brasil, as queijadinhas de Dona Marieta Santos, 81, seguem receita criada pela bisavó escravizada que adaptou o doce europeu aos engenhos locais. “Sergipanidade é essa superação”, resume.

Já em Laranjeiras, desde 1860 a encenação dos Lambe-Sujos e Caboclinhos revive a luta de negros e indígenas pela liberdade. Conhecido como “príncipe dos Lambe-Sujos”, Ruston Zuzart (Rustinho) lembra que o cortejo anual atrai visitantes do Brasil e do mundo.

Renda irlandesa atravessa fronteiras

Em Divina Pastora, rendeiras preservam a técnica da renda irlandesa, reconhecida como Patrimônio Imaterial do Brasil em 2009. A vice-presidente da Asderen, Maria José Souza, ressalta que o artesanato “fortalece nossa autoestima e pertencimento”.

O trabalho das artesãs participou este ano de eventos como Abav Expo, Moda Mix, Feira Nacional de Artesanato e Cultura do Ceará, Salão Nacional do Turismo e 19º Salão do Artesanato de São Paulo, além de conquistar o 3º lugar em vendas na 25ª Fenearte. Para 2025, elas foram convidadas a expor na cidade francesa de Le Puy-en-Velay, convite feito pelo Ministério da Cultura da França e pela Universidade de Toulouse, visita já conferida pelo governador Fábio Mitidieri.

Identidade plural em constante transformação

Para a geógrafa e pesquisadora Maria Augusta Mundim, da Universidade Federal de Sergipe, a sergipanidade não cabe em um único conceito. “Ela se expressa em gestos, sons, cores e celebrações”, afirma, citando o marcador de quadrilha e o mestre que dança no São João como exemplos de energia coletiva que “só o sergipano transmite”.

Da poesia popular ao mel de cabaú que colore os Lambe-Sujos, do cheiro do couro cru ao rendilhado delicado de Divina Pastora, Sergipe exibe, neste 24 de outubro, a força de múltiplas sergipanidades que seguem se recriando a cada geração.

Com informações de Governo de Sergipe