Logística salvadora: doações de órgãos em Sergipe aceleram transplantes e multiplicam vidas

Uma autorização familiar pode acionar, em minutos, uma operação que atravessa estados e ganha o céu do país. Foi o que ocorreu no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), em Aracaju, quando o advogado Ruan Feitosa permitiu a doação dos órgãos do pai, de 47 anos, vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e morte encefálica.
Antes do consentimento, Ruan e parentes foram amparados pela Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE). Apesar de resistência inicial da avó e da esposa do paciente, a família entendeu a importância do gesto. “Assinei a autorização e sinto que ajudamos quem precisava”, relatou Ruan.
Equipe pronta e relógio na mão
No centro cirúrgico, cirurgião, anestesista, instrumentadores e profissionais de enfermagem retiraram coração, dois rins, fígado e duas córneas. Em seguida, uma ambulância do Samu 192 Sergipe deixou a Ala Vermelha do Huse escoltada pelo Grupamento Especial Tático de Motos (Getam) até o Aeroporto Internacional de Aracaju, onde aeronaves da Força Aérea Brasileira aguardavam.
Destinos dos órgãos: coração e rim esquerdo para Pernambuco; fígado para o Distrito Federal; rim direito para o Rio Grande do Norte. As córneas permaneceram no estado para transplantes locais.
Tempo é vida
De acordo com Benito Fernandez, coordenador da Central Estadual de Transplantes de Sergipe, o período de isquemia fria — sem circulação sanguínea e com o órgão refrigerado — determina o sucesso do procedimento: até 4h para coração e pulmão, 12h para fígado, 36h para rins e até 14 dias para córneas. Todas as etapas seguem normas do Sistema Nacional de Transplantes.
Balanço de 2024
Entre janeiro e 18 de setembro, Sergipe registrou 39 doadores, resultando na captação de 41 rins, 19 fígados e quatro corações. No ano passado completo, foram 57 doadores, com 56 rins, 22 fígados e quatro corações. O estado também soma 174 transplantes de córnea e um transplante renal com doador vivo.
Outro sim que renova esperanças
Morador de Lagarto, o engenheiro civil Jorge Luiz autorizou a doação de órgãos da mãe, de 43 anos, após aneurisma cerebral. “Tomamos a decisão com serenidade e orgulho. Hoje falamos mais sobre doação para conscientizar outras famílias”, contou.
Para Darcyana Costa, coordenadora da OPO/SE, o acolhimento é decisivo. “Informação transforma dor em esperança e faz a família dizer ‘sim’”, destacou.
Com a meta de ampliar esses “sins”, a Secretaria de Estado da Saúde reforça campanhas de conscientização, lembrando que cada doador pode salvar ou melhorar a vida de várias pessoas.
Com informações de Governo de Sergipe
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