Projeto agroflorestal em Moita Bonita vira referência de produção sustentável em Sergipe

Implantado em 2021, no auge da pandemia de covid-19, o sítio de 27 mil m² do empresário Luiz Henrique Cunha Andrade, no povoado Figueiras, município de Moita Bonita, Agreste sergipano, transformou-se em vitrine de agroecologia e agrofloresta no estado.
Combinando plantios consorciados de alimentos livres de agrotóxicos, mogno africano e a transição para o café, o empreendimento recebe assistência técnica da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro). A propriedade também oferece turismo de experiência e cursos, funcionando como um “laboratório vivo” para novas práticas agrícolas.
Resultados em cinco anos
Segundo Waltenys Braga Silva, coordenador do escritório local da Emdagro, a área caminha para a sustentabilidade financeira com a produção de café, frutas e a criação de uma estação de beneficiamento. O manejo de Plantas Alimentares Não Convencionais (Pancs) integra o sistema.
Luiz Henrique explica que o sucesso se apoia em três pilares: recuperação do solo via adubação verde (gliricídia), gestão hídrica eficiente utilizando bananeiras e podas para retenção de umidade e orientação científica da Emdagro. A área permanece há 60 dias sem irrigação, demonstrando a resiliência do sistema.
Modelo de agrofloresta
A agrofloresta integra cultivos de ciclo curto, frutíferas e madeiras de lei, dispensando defensivos químicos. Entre os benefícios apontados estão recuperação do solo, renda escalonada e possibilidade de integração com pecuária por meio de adubação orgânica.
Expansão no estado
De acordo com Lucas Travassos, coordenador do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias (CDT) da Emdagro, 25 propriedades em Sergipe já adotam modelos sustentáveis inspirados no sítio de Moita Bonita. Técnicas de baixo custo, como vermicompostagem e gongocompostagem, são testadas no CDT, que mantém cultivos experimentais de cacau e amora italiana em Sistemas Agroflorestais (SAF).
Travassos destaca que a meta é emancipar o produtor, reduzindo a dependência de fertilizantes sintéticos e garantindo segurança alimentar, renda em mercados de nicho e preservação ambiental.
Para preservar a biodiversidade local, Luiz Henrique mantém o resgate de sementes crioulas, com destaque para oito variedades de feijão, e comercializa o excedente da produção, reforçando a viabilidade econômica da agrofloresta.
Com informações de Governo de Sergipe
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