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Sergipe

Sergipe intensifica campanha Setembro Verde e anuncia retomada de transplantes de rim e fígado

Rafael Ramos · · 3 min de leitura

O Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), reforça neste mês a campanha Setembro Verde, dedicada à conscientização sobre a doação de órgãos. A iniciativa ganha força em 2024 com a retomada dos transplantes de rim e o início dos procedimentos de fígado realizados dentro do próprio estado.

Autorização familiar é decisiva

No Brasil, a doação só ocorre após consentimento da família. Por isso, a orientação da SES é que o desejo de ser doador seja manifestado em vida. “A decisão da família é a chave para o transplante acontecer”, ressalta Darcyana Costa, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Sergipe.

Histórias que incentivam

O agrimensor aposentado Leonaldo Carvalho, 68 anos, descobriu dois nódulos no fígado entre 2020 e 2023. Após indicação médica, ele recebeu um novo órgão em julho de 2024, em Recife (PE). “Uma vida termina, mas oferece oportunidade para outras pessoas viverem”, afirma, destacando que toda a família passou a apoiar a doação.

Em sentido oposto, a família da promotora de vendas Layane Avelino de Santana, 30 anos, decidiu autorizar a doação após a confirmação de morte encefálica por aneurisma cerebral, em 2024. Córneas, coração, rins, pulmão e pâncreas da jovem beneficiaram cinco pacientes. “Saber que ela vive um pouco nessas pessoas me conforta”, diz a mãe, Maria de Fátima Avelino, 52 anos.

Números da doação em Sergipe

O estado registrou 57 doadores em 2024; em 2025, até agosto, foram 37. Entre os órgãos captados, destacam-se:

  • 2024: 56 rins, 22 fígados, 142 córneas e 4 corações.
  • 2025 (até agosto): 36 rins, 18 fígados, 97 córneas e 4 corações.

A Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) estima que Sergipe necessite de 206 transplantes de córnea, 137 de rim, 57 de fígado, 18 de coração e 18 de pulmão.

Processo rigoroso

Segundo Benito Oliveira Fernandez, coordenador da Central Estadual de Transplantes (CET), a captação só começa após confirmação de morte encefálica, exames sorológicos e aprovação familiar, em conformidade com o Decreto nº 9.175/2017. “Para coração e pulmão, o intervalo entre retirada e implante é de cerca de quatro horas; o receptor já precisa estar preparado”, explica.

Avanço histórico

No dia 3 de setembro, o governo assinou contrato com a Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC) para restabelecer os transplantes renais com doador falecido, suspensos havia 13 anos, e implantar o serviço de transplante hepático pelo SUS. A medida reduz deslocamentos de pacientes para outros estados, melhora o acompanhamento pós-operatório e fortalece a cultura da doação em Sergipe.

Com informações de Governo de Sergipe