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Sergipe

Sergipe ultrapassa meta de transplantes de córnea e reforça importância da doação

Rafael Ramos · · 3 min de leitura

Sergipe encerrou 2024 com 226 transplantes de córnea realizados, número que excedeu a meta prevista pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) e chegou a zerar a fila de espera naquele ano. A marca é lembrada neste Setembro Verde, período dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos.

História de superação

Entre os beneficiados está o delegado de polícia Bruno Santana, que passou por quatro transplantes de córnea. O primeiro ocorreu aos oito anos, após uma infecção neonatal. Aos 21 e 30 anos ele precisou de novos procedimentos por falência das córneas anteriores. O quarto transplante, realizado há dois anos, incluiu uma intervenção tectônica preventiva, evitando a perfuração do tecido.

“Cada cirurgia me lembra que alguém disse ‘sim’ em um momento de dor. Esse ato de cidadania me permite enxergar, trabalhar e viver normalmente”, declarou Bruno.

Demanda atual

Levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) aponta que Sergipe tem demanda estimada de 206 transplantes de córnea, além de 137 de rim, 57 de fígado, 18 de coração e 18 de pulmão.

Em 2025, até agosto, 217 pessoas aguardavam por uma córnea no estado. No mesmo período, foram efetuados 145 transplantes ópticos — indicados para restauração da visão —, 14 transplantes tectônicos, usados em emergências para preservar a estrutura ocular, e um transplante de esclera, tecido empregado em reconstruções.

Como funciona a doação

Segundo a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE), Darcyana Costa, o processo começa no consultório do oftalmologista, que avalia a necessidade do transplante e cadastra o paciente no sistema nacional. Paralelamente, o Banco de Olhos de Sergipe monitora óbitos por parada cardiorrespiratória. Caso não haja impedimentos, a família é convidada a autorizar a doação.

Com a permissão, a equipe retira, prepara e preserva as córneas, registrando o doador no mesmo sistema. A Central de Transplantes de Sergipe então distribui o tecido de acordo com a lista de espera e a compatibilidade informada pelos médicos.

Flávia Borges, gestora do Banco de Olhos, destaca que a estrutura montada no estado foi decisiva para o resultado de 2024. “A quantidade de doadores permitiu atender todos os pacientes que aguardavam há menos de um ano”, afirmou.

Com o avanço dos números e exemplos como o de Bruno, a SES reforça o apelo para que mais famílias conversem sobre doação e mantenham vivo o ciclo de solidariedade que devolve a visão e a qualidade de vida a centenas de sergipanos.

Com informações de Governo de Sergipe