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Sergipe

Sucata vira robótica e leva professora brasileira ao topo mundial

Rafael Ramos · · 3 min de leitura

Uma educadora transformou lixo em aprendizado e conquistou o mundo. Débora Garofalo foi finalista do Global Teacher Prize 2019, sendo a primeira brasileira a chegar tão longe.

A educadora Débora Garofalo, que atua em uma escola pública municipal de São Paulo, conquistou destaque mundial com seu projeto de robótica utilizando sucata. Desde 2015, quando deu início a essa iniciativa, Débora transformou a realidade de seus alunos do ensino fundamental, tirando proveito do lixo como ferramenta de aprendizado e criatividade. Este trabalho inovador a levou a ser uma das finalistas do Global Teacher Prize, um dos prêmios mais prestigiados da educação, em 2019, onde se destacou como a primeira brasileira e sul-americana a alcançar tal feito.

Com o passar dos anos, a trajetória de Débora foi reconhecida ainda mais, e em 2026, ela foi homenageada como a professora mais influente do mundo, recebendo o prêmio Global Teacher Influencer of the Year durante a cerimônia realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Além desse reconhecimento internacional, na última quinta-feira (11), a educadora também foi agraciada com o Prêmio Faz Diferença 2025 na categoria Educação, em uma cerimônia na Casa Firjan, no Rio de Janeiro.

O projeto de robótica com sucata não apenas trouxe inovação ao ambiente escolar, mas também gerou um impacto significativo na comunidade ao redor. Com a redução da evasão escolar em 93% e a diminuição do trabalho infantil em 95%, o trabalho de Débora se tornou um modelo de política pública estadual. A ideia de integrar a robótica ao currículo escolar se expandiu, alcançando mais de 5 mil escolas e 3,7 milhões de estudantes no estado de São Paulo.

Em uma entrevista, Débora compartilhou como o projeto começou e os desafios enfrentados. Ela mencionou que a ideia surgiu em um contexto de alta violência e problemas sociais, onde o lixo era um grande obstáculo para a educação. “Eu só tinha dois caminhos: ou me lamentava ou pegava o lixo como objeto de conhecimento. Eu preferi a segunda opção”, afirmou.

“O primeiro protótipo que fizemos virou uma febre na escola. Era um carrinho feito com lixo e a lei da física. As crianças se entusiasmaram e queriam aprender mais”, conta Débora.

Débora também falou sobre a importância do envolvimento da comunidade, que se deu através de feiras de tecnologias organizadas na escola, onde os alunos puderam mostrar suas inovações. Esses eventos reuniram mais de 500 pessoas e incentivaram a criação de uma cultura diferenciada entre os estudantes.

A experiência de Débora Garofalo é um exemplo inspirador de como a educação pode ser transformadora, utilizando criatividade e recursos disponíveis para criar um futuro melhor para todos. Seu trabalho demonstra que é possível fazer a diferença na vida de jovens e comunidades por meio da educação inovadora e do engajamento social.