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Sergipe

Transplante renal com doador falecido marca retomada do procedimento em Sergipe

Rafael Ramos · · 3 min de leitura

Sergipe voltou a realizar transplante de rim proveniente de doador falecido. O procedimento ocorreu na noite de terça-feira, 6 de janeiro, na Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), unidade contratualizada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) que recebe investimento anual superior a R$ 241 milhões para procedimentos de alta complexidade.

O receptor é Josenaldo Oliveira, 25 anos, morador de Nossa Senhora da Glória. Há cerca de dez meses ele recebeu diagnóstico de doença renal crônica, passou por cateterismo no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) e iniciou hemodiálise. “Saber que a espera acabou e que poderei retomar a qualidade de vida perto da família é um alívio enorme”, afirmou o paciente.

A cirurgia só foi possível após autorização da família de uma vítima de acidente motociclístico internada no Huse. Confirmada a morte encefálica, foram captados rim, fígado, córneas e coração — este último registrado como a primeira captação de 2026 — beneficiando receptores de Sergipe, Pernambuco e Espírito Santo.

Processo de seleção e compatibilidade

Segundo o diretor técnico do Hospital de Cirurgia, Rilton Morais, o projeto para retomada dos transplantes renais começou em 2022, com credenciamento e adequação da infraestrutura. Em 2023 foram selecionados e avaliados os pacientes aptos, formando a lista de receptores. A compatibilidade envolve cruzamento de dados como tipo sanguíneo, critérios clínicos, ABO, HLA e cross-match negativo.

Apoio institucional e números do contrato

O secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, atribuiu o avanço à iniciativa do governador Fábio Mitidieri e ao fortalecimento da política pública iniciado na gestão de Cláudio Mitidieri. O contrato com a FBHC prevê, além dos transplantes de rim e fígado, cerca de 700 cirurgias de média e alta complexidade por mês — total aproximado de 8,3 mil ao ano — em especialidades como cardíaca, neurológica, vascular, ortopédica e oncológica. A unidade também realiza 14,5 mil atendimentos ambulatoriais mensais.

Organização de Procura de Órgãos

A coordenadora da OPO/SE, Darcyana Costa, informou que já foram registradas quatro captações de múltiplos órgãos e tecidos nos primeiros dias do ano. “Estamos conseguindo finalizar protocolos em até 24 horas, essencial para salvar mais vidas”, destacou.

Central de Transplantes

Para o coordenador da Central Estadual de Transplantes, Benito Fernandez, a operação recoloca Sergipe na rota nacional desse tipo de procedimento, permitindo que pacientes realizem a cirurgia perto da família e com acompanhamento adequado para possíveis intercorrências.

Importância da doação

A chefe do serviço de transplante renal da FBHC, Simone Oliveira, lembrou que a autorização familiar é decisiva para viabilizar a doação após morte encefálica, temática reforçada nas campanhas do Setembro Verde.

Com informações de Governo de Sergipe